Medida anunciada neste mês de maio de 2026 atende a cerca de 10,5 milhões de brasileiros e prevê depósito automático nas contas vinculadas até o dia 26
O governo federal anunciou, neste mês de maio, a liberação de R$ 7,7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço destinados exclusivamente aos trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e que tiveram suas rescisões contratuais por dispensa sem justa causa. A decisão atinge aproximadamente 10,5 milhões de pessoas em todo o território nacional e representa uma das maiores injeções de recursos diretos na mão do trabalhador nos últimos anos.
De acordo com as regras definidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, os valores serão creditados automaticamente nas contas vinculadas dos beneficiários por meio do aplicativo oficial do FGTS. O prazo final para a conclusão dos depósitos está previsto para o dia 26 de maio de 2026. A expectativa é que a grande maioria dos trabalhadores elegíveis já tenha acesso aos recursos dentro desse intervalo, sem a necessidade de qualquer solicitação adicional.
A iniciativa, porém, vai além da simples devolução de valores acumulados. O programa também autoriza a utilização de até 20% do saldo disponível na conta do FGTS, com um teto de R$ 1.000, para a quitação ou renegociação de dívidas junto a instituições financeiras. Essa possibilidade faz parte da reformulação do Desenrola Brasil, programa do governo federal voltado à redução do endividamento das famílias brasileiras.
Por falar em Desenrola Brasil, um montante expressivo de R$ 8,2 bilhões do Fundo de Garantia já foi direcionado para a liquidação de obrigações em atraso dentro desse programa. O governo reforçou que as recentes adequações feitas no Desenrola Brasil foram pensadas para oferecer condições mais flexíveis e acessíveis, permitindo que os trabalhadores reorganizem suas finanças de maneira mais efetiva.
O FGTS, vale lembrar, tem uma história que remonta a mais de seis décadas. Criado em 13 de setembro de 1966, por meio da Lei nº 5.107, durante o governo do presidente militar Castelo Branco, o fundo entrou em vigor oficialmente em 1º de janeiro de 1967. A ideia, concebida à época pelo ministro do Planejamento Roberto Campos, era justamente criar um mecanismo de proteção ao trabalhador em situação de demissão sem justa causa, garantindo uma reserva financeira ao final de cada vínculo empregatício.
Para o Ministério do Trabalho e Emprego, o impacto da liberação desses recursos transcende o benefício individual. A pasta destacou que, ao colocar dinheiro diretamente na conta dos trabalhadores, a medida também funciona como um poderoso estímulo ao consumo e à liquidez do mercado interno. Em um cenário econômico ainda marcado por desafios, a injeção de quase R$ 16 bilhões entre a liberação direta e a destinação a dívidas tem potencial para movimentar setores fundamentais da economia, como o comércio e os serviços.
Especialistas ouvidos pelo portal apontam que a combinação entre o saque-aniversário e as novas linhas de renegociação de dívidas pode representar um alívio significativo para milhões de famílias que enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos financeiros. A tendência é que, nos próximos meses, o volume de saques cresça ainda mais à medida que os trabalhadores compreendam as possibilidades abertas pelas novas regras.

