Um levantamento realizado pelo Serasa em parceria com a Opinion Box e a Hurst Capital traz um dado preocupante: apenas 35% da população brasileira se considera financeiramente independente. O estudo revela ainda que, para a maioria dos entrevistados, os principais obstáculos para alcançar essa independência estão relacionados à organização das finanças pessoais e ao controle de dívidas.
De acordo com a pesquisa, os brasileiros apontam que os primeiros passos para conquistar a independência financeira seriam conseguir pagar as próprias contas em dia, ter os gastos planejados e organizados, e conseguir quitar as dívidas de forma segura. Esses três elementos aparecem como as principais metas para quem busca maior estabilidade econômica.
Quitar dívidas é prioridade para quem ainda não alcançou independência
Para aqueles que ainda não conseguem se considerar financeiramente independentes, o levantamento mostra quais são as prioridades imediatas. Quitar dívidas lidera a lista, com 41% dos respondents indicando essa como a meta mais urgente. Em seguida, conseguir um emprego aparece como objetivo para 25% dos participantes, enquanto 24% apontam que gostariam de começar a investir.
Os dados revelam um cenário em que a maioria da população ainda enfrenta desafios básicos de controle financeiro, o que impede avanços hacia objetivos de longo prazo como investimentos e construção de patrimônio.
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Para quem deseja dar os primeiros passos rumo à independência financeira, especialistas em educação financeira recomendam uma série de práticas que podem fazer a diferença no próximo ano. O primeiro passo, segundo os experts, é entender exatamente quanto você ganha, quanto gasta e quanto deve.
Organizar as finanças em uma planilha ou aplicativo, separando despesas fixas e variáveis, é fundamental para identificar desperdícios e definir metas mais realistas. “Quando a pessoa sabe exatamente quanto pode gastar por dia, ela consegue entender rapidamente quando uma compra é possível ou não. É isso que cria a sobra necessária para formar uma reserva financeira”, explica o educador financeiro Breno Nogueira.
Reserva de emergência é fundamental
Uma das recomendações mais importantes dos especialistas é a criação de uma reserva de emergência que cubra de três a seis meses de gastos essenciais. Esse colchão financeiro serve como proteção contra imprevistos como demissões, despesas médicas inesperadas ou outras emergências que poderiam levar a pessoa a contrair novas dívidas.
Segundo dados da própria pesquisa, os brasileiros estão avançando nesse aspecto: 47% já dizem ter alguma reserva para emergências. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para que a maioria da população esteja adequadamente protegida.
Cuidados com o endividamento
Os especialistas alertam para os perigos do uso rotineiro do cartão de crédito, cheque especial e empréstimos com juros elevados. Para quem já está endividado, a recomendação é buscar renegociar as condições ou换成uma dívida com juros mais baixos.
“No cartão de crédito, tudo sobe: a fatura, as milhas e a sensação de satisfação no momento da compra. No débito, o dinheiro realmente sai, e isso traz muito mais sensibilidade ao gasto. Antes de comprar presentes, viajar ou aproveitar promoções, o ideal é amortizar dívidas com juros altos, como o rotativo do cartão e o cheque especial”, orienta Nogueira.
Diversificar fontes de renda
Outra recomendação importante é não depender de uma única fonte de renda. Os especialistas sugerem desenvolver outras formas de ganhar dinheiro, como trabalhos freelancer, venda de produtos ou investimentos que possam gerar receita passiva no futuro.
“A regra número um é clara: quem tem dívida, tem prioridade. Entrar em novos parcelamentos só aumenta a bola de neve e compromete o início do ano. Para quem está endividado, este não é o momento de investir, mas sim de organizar as finanças e montar uma pequena reserva”, afirma o educador financeiro.
Metas e automação
Ter metas de curto, médio e longo prazo é essencial para manter o foco e a disciplina na jornada financeira. Objetivos como quitar dívidas, comprar um imóvel ou garantir uma aposentadoria tranquila ajudam a dar direção aos esforços.
Por fim, os especialistas recomendam automatizar transferências para investimentos e o pagamento de contas. Essa prática evita esquecimentos e garante que o planejamento financeiro não dependa da memória ou disposição do dia a dia.
“A falta de planejamento transforma o que parece ser uma boa oportunidade, seja um desconto de 30% ou uma promoção compre 2 leve 3, em uma dívida prolongada que o cliente muitas vezes nem lembra porque ou o que comprou. A organização financeira não existe para restringir, mas para dar segurança. Quando o consumidor entende seu orçamento, ele consegue aproveitar promoções e oportunidades sem comprometer o mês seguinte”, destaca Rafa Cavalcanti, CEO da CloQ, fintech especializada em soluções de análise de crédito.

