Ministro da Fazenda indica uso parcial do FGTS e juros reduzidos para aliviar consumidores
Na manhã desta segunda‑feira, o ministro da Fazenda anunciou que o próximo plano de renegociação de débitos deve oferecer descontos que podem chegar a noventa por cento. O foco será nas dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia.
Em entrevista concedida a jornalistas em São Paulo, logo após reunião com representantes bancários, o titular da pasta informou que o programa permitirá que trabalhadores utilizem parte do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para quitar seus compromissos. O valor exato ainda não foi divulgado.
Segundo o ministro, as discussões avançaram para um “bom consenso” entre governo e instituições financeiras sobre as linhas gerais do plano. Ele destacou que pontos específicos foram ajustados para que a proposta seja apresentada ao presidente ainda nesta semana.
Ele ilustrou a proposta com um exemplo: uma dívida de dez mil reais, com juros mensais entre oito e dez por cento, poderia ser convertida em um débito de cerca de mil reais, sujeito a taxas de juros muito menores.
O programa deve incluir linhas de crédito com juros significativamente reduzidos, viabilizadas por um aporte do Tesouro Nacional ao Fundo de Garantia de Operações, que concederá garantias da União aos bancos participantes.
A iniciativa terá prazo determinado e não está prevista como medida permanente. O ministro ressaltou que se trata de uma ação pontual, dada a situação econômica excepcional que o país enfrenta.
Em 2023‑2024, o governo já lançou o programa “Desenrola”, que renegociou cerca de cinquenta e três bilhões de reais em dívidas, beneficiando aproximadamente quinze milhões de brasileiros. Apesar desse esforço, o endividamento da população continuou a subir, impulsionado por estímulos ao crédito e pelos juros elevados.
O ministro concluiu que as medidas são temporárias e que a população não deve contar com a recorrência de iniciativas desse tipo.

