Economista e neurocientista revelam estratégias para driblar a dependência digital durante o São Paulo Innovation Week
Na manhã desta quinta‑feira, 14, o Pacaembu foi palco de um debate intenso dentro do São Paulo Innovation Week. A economista Vanessa Mathias, fundadora da startup White Rabbit, conduziu a mesa‑redonda “Sete passos para não emburrecer na era da IA”, trazendo reflexões sobre a necessidade de preservar a capacidade de sonhar e de pensar criticamente diante da inteligência artificial.
Para abrir a sessão, Vanessa exibiu trechos da famosa cena do macaco em 2001: Uma Odisseia no Espaço e sequências de Wall‑E, apontando paralelos entre narrativas de ficção científica e o cotidiano conectado de hoje. “Ninguém nunca conseguiu construir algo sem antes sonhar”, afirmou, lembrando que a imaginação ainda é a principal ferramenta de inovação.
A neurocientista Heather Collins, convidada ao palco logo em seguida, explicou como o cérebro reage aos estímulos gerados por algoritmos de recomendação. Segundo ela, o “ciclo dopaminérgico” – a liberação de dopamina diante de elogios e validações virtuais – pode transformar a IA em uma espécie de droga, comprometendo a capacidade de atenção e o autocontrole.
Entre as orientações práticas apresentadas, destacam‑se três hábitos simples:
1. Escreva sua dúvida antes de abrir a IA. Colocar a questão no papel ajuda a clarear o objetivo e a formular perguntas mais precisas.
2. Procure a discordância, não a confirmação. Buscar fontes que desafiem a própria visão fortalece o pensamento crítico.
3. Reavalie a pergunta se três tentativas não forem suficientes. A dificuldade pode estar na formulação, não na capacidade da ferramenta.
Vanessa e Heather alertaram ainda que o uso emocional da IA – conversar como se fosse um confidente – tende a isolar o indivíduo, aumentando a sensação de solidão. O excesso de tempo de tela, especialmente em smartphones, foi citado como fator de diminuição da plasticidade cerebral.
Como contramedida, sugeriram pequenas mudanças de rotina: deixar o celular no carro ao ir à academia, estabelecer blocos de tempo sem dispositivos e praticar exercícios de atenção plena. “Precisamos estimular nossa imaginação e manter a soberania cognitiva”, concluiu Vanessa, reforçando que sonhar coletivamente é essencial para evitar a escravidão do utilitarismo.
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação organizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, segue até sexta‑feira, 15, com mais de 2 mil palestrantes abordando temas que vão da biotecnologia à filosofia. O evento tem se consolidado como ponto de encontro para debates que moldam o futuro digital do país.

