Funcionalidade que permite usar parte do FGTS para renegociar dívidas enfrenta dificuldades técnicas uma semana após o lançamento oficial
Relatos em redes sociais indicam que a nova funcionalidade do Novo Desenrola Brasil, que permite utilizar até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou o valor de R$ 1 mil (o que for maior) para quitar dívidas, ainda não está disponível nas instituições financeiras. Usuários tentam acessar o recurso desde o lançamento, mas sem sucesso, gerando frustração entre quem esperava aliviar suas pendências.
A medida, apesar de promessa de simplificação, vem sob críticas de economistas e educadores financeiros, que alertam para o risco de comprometer a reserva de emergência dos trabalhadores. “Usar parte do FGTS para pagar dívidas pode resolver problemas imediatos, mas coloca em risco o colo financeiro do cidadão em momentos de necessidade”, comenta um especialista em finanças. A preocupação central é que o recurso, embora legal, pode ser mal utilizado por quem não tem alternativas mais saudáveis.
A Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão do FGTS, informou que ainda está finalizando os procedimentos para operacionalizar o uso do fundo no programa. Em nota, o banco explicou que o fluxo será conduzido diretamente pelas instituições financeiras, sem necessidade de o trabalhador comparecer a agências da Caixa. “Nos próximos dias, divulgaremos as diretrizes operacionais para que as instituições habilitadas possam oferecer o serviço”, afirmou o órgão, sem prever uma data exata para a liberação.
Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que a versão do programa voltada para renegociação de dívidas do Fies (Financiamento Estudantil) deve estar “totalmente operativa” ainda esta semana. A expectativa é de que essa etapa ajude a aliviar a inadimplência estudantil, mas a demora na implementação do Novo Desenrola Brasil gera dúvidas sobre a eficiência do programa.
Além disso, críticos destacam que a medida pode ter efeitos colaterais negativos, como a redução de incentivos à poupança e a transferência de custos para o consumidor em políticas que deveriam proteger setores vulneráveis. “Em vez de promover concorrência equilibrada, a medida penaliza quem menos pode”, avalia um analista. O governo, por sua vez, reforça a importância do programa para estimular a economia e reduzir o déficit de inadimplência.
Com a expectativa de que a operacionalização do recurso ocorra nos próximos dias, o principal desafio agora é garantir que as instituições financeiras estejam preparadas para atender a demanda, evitando novos contratempos. Enquanto isso, os usuários continuam à espera de um sistema que promete alívio, mas que ainda não saiu do papel.

