Cadastro Online Bolsa Família 2021: Como será o novo sistema após o Auxílio Emergencial?

Em evento em Maceió, O Presidente da república anunciou o lançamento de um aplicativo de cadastro para o Bolsa Família, transformando o cadastro hoje presencial em digital. Apesar de não fornecer maiores detalhes, o aplicativo está em fase de finalização.

Durante um evento em Maceió, Alagoas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou, na última quinta-feira (13), que o cadastro do programa Bolsa Família passará a ser feito através de um aplicativo para celulares e não mais nas prefeituras.

De acordo com o chefe do Executivo nacional. o Governo Federal está finalizando a nova versão do programa de distribuição de renda.

“Está quase pronto também a questão do novo Bolsa Família. E mais ainda, brevemente a inclusão no Bolsa Família não será mais procurando prefeituras pelo Brasil. Será feito através de um aplicativo”, declarou o presidente durante a entrega de 500 unidades habitacionais na capital alagoana.

Enquanto elogiava o ministro da Cidadania, João Roma, durante o evento em Maceió, Bolsonaro contou que uma nova versão do programa está quase finalizada, mas não entrou em detalhes. O programa faz parte da pasta chefiada por João Roma.

Auxílio Brasil: Valor do novo Bolsa Família

Cadastro online Bolsa Família 2021

O cadastro no programa Bolsa Família é atualmente realizado diretamente nas prefeituras e através do CRAS. Com a mudança anunciada, o próprio cidadão poderá se inscrever no programa, através de um dispositivo celular.

Apesar de não oferecer maiores detalhes sobre a alteração, o presidente declarou: “Vamos libertar as pessoas mais humildes do jugo de quem quer que seja”.

Com o aplicativo citado ainda não está disponível, mas segue em finalização. Com seu lançamento, o deslocamento até uma unidade do CRAS seria dispensável, o que favorece o isolamento social durante a pandemia.

Novo valor Bolsa Família

O Presidente também mencionou que pretende aumentar o valor médio pago pelo Bolsa Família. O benefício de cerca de R$ 192 reais atuais, passaria para R$250 a partir dos meses de agosto e setembro.

“Hoje a média está em R$ 192. O auxílio emergencial está em R$ 250. É pouco, sei que é pouco, mas é muito maior que a média do Bolsa Família. A gente pretende passar para R$ 250 agora em agosto ou setembro”, afirmou Bolsonaro. De acordo com o presidente, o pagamento do auxílio emergencial no ano de 2020 superou os gastos de dez anos do programa Bolsa Família.

Ainda em 2020 Bolsonaro também demonstrou interesse em criar novos abonos capazes de expandir a renda dos segurados. Os pagamentos levariam em consideração o desempenho escolar, atividades esportivas, entre outros. Confira:

  • Bônus anual de R$200,00 para o melhor aluno.
  • Prêmio anual de estudante técnico e científico de destaque no valor de R$1.000,00, mais uma bolsa mensal de R$100,00.
  • Auxílio-creche mensal no valor de R$52,00 para cada criança.

Fim do Cras?

Segundo a ex-secretária nacional de Renda e Cidadania, responsável pelo programa Bolsa Família e do Cadastro Único, Letícia Bartholo, a solução anunciada pelo atual presidente “vai apartar ainda mais o Estado da população mais pobre” e desconsidera a colaboração federativa que deve envolver o combate à pobreza. Letícia afirma que essa é uma atribuição federal, estadual e municipal:

“O governo se esquece que as famílias não vão simplesmente se cadastrar, elas entram num centro de referência de assistência social, que é a porta de entrada do Estado, que vai avaliar as necessidades da família, inclusive dificuldade de moradia, situações de violência. Transformar tudo num aplicativo é apartar ainda mais o Estado da população mais pobre”

Dentro dos Centros de referência de assistência social (CRAS), o cidadão tem acesso a diversos serviços e informações. Muitas famílias possuem, por exemplo, o direito de receber um benefício maior por terem filhos, mas nem todas as crianças são registradas em cartório.

Esses cidadãos sem posse da certidão de nascimento, perdem consideravelmente o acesso à cidadania. O CRAS consegue identificar esse tipo de vulnerabilidade e dar a orientação e tratativa corretas. Além de identificar outras questões e efetuar os encaminhamentos necessários.

Diversas prefeituras, como a da cidade do Rio, usaram os dados do Cadastro Único para efetuar os pagamentos de um benefício fora da iniciativa federal.

Dado esse exemplo, os dados da população mais vulnerável não são utilizados apenas pelo governo federal. O atual Bolsa Família não é reajustado desde 2018 e ainda possui cerca de 1,7 milhões de famílias em fila de espera.

Ante a realidade de exclusão digital no Brasil, onde muitos não possuem acesso a um dispositivo celular ou internet, é possível que a digitalização do cadastro seja um complemento ao CRAS, não substituindo todos os serviços prestados pelo órgão.

A tendência pós pandemia é justamente da digitalização de diversos serviços, no mundo todo. Como é visto com o Aplicativo Caixa Tem, os celulares são parte da rotina de grande parte da população. Substituindo ida aos bancos para pagamentos, consultas e transferências.

Apesar dessas comodidades, elas não são acessíveis para todos os brasileiros. O fim do CRAS e dos serviços presencias, deve estar condicionado ao acesso igualitário da população à era digital.

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