Reajuste de plano de saúde 2024 chegam a ser 25%; é permitido?

A pesquisa aponta que o preço dos convênios médicos superou a inflação para o segmento em 2023

Um recente levantamento feito pelo BTG Pactual aponta que o reajuste nos preços dos planos de saúde superou por muito a inflação para o setor no ano de 2023. No período em questão, alguns convênios aumentaram os valores em mais de 20%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o setor foi de 11,52%.

De acordo com as companhias, o percentual reflete o aumento nos custos médico-hospitalares e prejuízo da categoria nos últimos anos. O IPCA, que é considerado o medidor oficial da inflação do Brasil, encerrou 2023 com avanço de 4,72%. A maior contribuição no grupo de Saúde e cuidados pessoais veio justamente do subgrupo dos convênios médicos.

Na prática, os planos de saúde ficaram, em média, 11,52% mais caros no ano passado, como revela o relatório ANS Pricing X-Ray feito pelo BTG Pactual. No entanto, algumas organizações corrigiram bem mais os valores cobrados, sobretudo nos segmentos coletivos por adesão ou corporativos, em que o aumento é negociado entre o convênio e o cliente. Abaixo, veja os reajustes feitos pelas seguradoras:

  • 1. Unimed: 13,5%;
  • 2. Hapvida: 15%;
  • 3. Amil: 21,2%;
  • 4. Bradesco Saúde: 22,6%;
  • 5. SulAmerica: 25,8%.

Afinal, esse tipo de reajuste é permitido?

As normas para reajuste dos preços dependem exclusivamente da modalidade. Em 2023, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) limitou a 9,63% a correção para planos individuais e familiares, que são contratados diretamente pelo beneficiário.

No que diz respeito aos convênios coletivos por adesão ou corporativos, contratados por meio de sindicatos ou companhias, seguem regras distintas. As negociações realizadas diretamente entre as seguradoras e os contratantes, sem limitação pelo órgão regulador.

De acordo com a pesquisa da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) no relatório Cenário Saúde, mais de 8,9 milhões de beneficiários assinavam planos individuais e familiares em junho do ano passado. No mesmo período, os planos coletivos corporativos ou por adesão somavam 41,8 milhões de assinantes. Os números informados apontam que aproximadamente 82% dos convênios médicos contratados no país não têm o reajuste de preços regulamentado pela ANS.

Motivo para o aumento nos preços

Segundo analistas do setor, muito mais pessoas estão realizando exames, consultas e terapias desde a pandemia, o que aumentou a taxa de sinistralidade para 86,6% até setembro de 2023. Para quem não está familiarizado, a sinistralidade indica o quanto o plano é utilizado, ou seja, define a relação entre o gasto com o acionamento do plano de saúde (sinistro) e o valor que a operadora recebe pelo contrato (prêmio).

Esses valores são altos, visto que as operadoras ainda precisarão cobrir suas despesas administrativas, comerciais e obter resultados positivos da operação“, destaca Ulisses Rezende, diretor de negócios da XVI Finance, ao portal Edital Concursos Brasil.

O reflexo do aumento da sinistralidade é que mais da metade das operadoras de saúde tiveram resultados operacionais negativos até setembro do ano passado. Como apontam os dados do relatório da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), o setor acumulou R$ 4,3 bilhões de prejuízo em 2023.

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