Lula exonera diretor-adjunto da Abin após operação da PF

Em uma investigação da PF sore casos de espionagem paralela, o nome do diretor-adjunto da Abin foi divulgado, o que levou a exoneração dele do cargo

No decorrer desta terça-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), oficializou a destituição de Alessandro Moretti, ocupante do cargo de diretor-adjunto na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A Abin sustenta que as alterações não guardam conexão com as investigações em andamento, uma vez que já estavam previstas e integram o plano de reorganização iniciado no ano anterior.

A agência de inteligência está no centro de uma crise decorrente das investigações acerca da suposta formação de uma estrutura paralela de espionagem durante a gestão de Bolsonaro. A Polícia Federal realizou três operações com autorização do Supremo Tribunal Federal, ressaltando a alegada colaboração entre a administração atual da Abin e os indivíduos sob investigação.

Exoneração na Abin

A continuidade de Moretti na função foi posta em dúvida devido à sua participação na operação da semana passada. Conforme a PF, ele esteve presente em uma reunião com representantes dos funcionários da Abin em março do ano anterior, na qual teria insinuado que a investigação sobre a agência tinha motivações políticas e seria ultrapassada.

No documento, a PF expressou críticas à conduta de Moretti, ressaltando que ela não está alinhada com as expectativas para alguém que, até dezembro de 2022, desempenhava a função de diretor de Inteligência da Polícia Federal. Moretti refutou qualquer alegação de agir para impedir as investigações.

Previamente, Lula já havia abordado a eventual demissão de Moretti, evidenciando a apreensão do governo em relação a nomeações para entidades como a Abin. A dispensa foi oficializada ainda na noite desta terça-feira, por meio de uma edição extraordinária do Diário Oficial.

Operação e substituto

A Polícia Federal está investigando a suspeita de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) esteja monitorando os celulares de indivíduos vinculados ao Supremo Tribunal Federal, abrangendo funcionários, advogados, policiais, jornalistas e ministros. A pesquisa revelou a ocorrência de pelo menos 33.000 acessos de localização.

Em um comunicado divulgado na quinta-feira (25), a Polícia Federal apontou sinais de um “possível conluio” entre a administração atual da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e os indivíduos sob investigação na vigilância de autoridades.

O relatório destacou uma conversa ocorrida em 28 de março, envolvendo Alessandro Moretti, que na época era diretor-geral da agência, com os agentes sob investigação, na qual ele teria afirmado que o processo possuía motivações políticas e seria superado.

A Casa Civil informou que Marco Aurélio Chaves Cepik, funcionário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, assume agora o cargo de diretor-adjunto na Abin. Além de ser Professor Titular de Relações Internacionais e Política Comparada na mesma instituição de ensino, Cepik desempenha o papel de diretor da Escola de Inteligência da Abin desde abril de 2023.

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