Pedidos de seguro-desemprego aumentam para 220 mil nos EUA

Os analistas do The Wall Street Journal estimavam 222 mil pedidos por seguro-desemprego nos EUA. Isso tem o poder de impactar nos juros americanos

Durante a transição de novembro para dezembro, os pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos atingiram 220 mil, um aumento de 1.000 em relação aos dados revisados da semana anterior, que reportaram 219 mil solicitações. Essa análise foi fornecida pelo Departamento do Trabalho norte-americano.

A cifra final ficou aquém das projeções dos analistas ouvidos pelo “The Wall Street Journal”, que estimavam 222 mil solicitações. Francisco Nobre, economista da XP, antecipava uma estabilidade nos números, destacando, contudo, a importância de uma análise abrangente dos indicadores do mercado de trabalho.

O economista mencionou que o relatório Jolts revelou uma inesperada diminuição na criação de novas vagas, indicando um notável declínio na demanda por trabalhadores. Adicionalmente, a geração líquida de empregos no setor privado não atendeu às expectativas, transmitindo a mesma mensagem.

Seguro-desemprego

A desaceleração no mercado de trabalho foi descrita como um sinal positivo de que o Federal Reserve (Fed) está alcançando os resultados desejados ao manter as taxas de juros elevadas, preparando-se para um ciclo de cortes. Isso está impulsionando o rendimento de ativos de risco, como as ações, e quase metade dos analistas prevê que esse ciclo de cortes acontecerá já no primeiro trimestre de 2024.

Em relação aos pedidos continuados na semana encerrada em 25 de novembro, foi informada uma diminuição de 64 mil, totalizando 1,861 milhão. A média móvel de quatro semanas aumentou em 7.000, alcançando 1,872 milhão, de acordo com os dados revisados divulgados pelo Departamento do Trabalho.

Desaceleração no mercado de trabalho?

O relatório das folhas de pagamento não agrícolas de novembro indicou a criação de 199 mil postos de trabalho, superando as expectativas dos economistas que estimavam 190 mil vagas. Consequentemente, a taxa de desemprego nos EUA atingiu 3,7%, em contraste com a previsão de 3,9%. O salário médio por hora apresentou um incremento de 0,35% em novembro em relação a outubro, ultrapassando a expectativa de 0,30%.

O fortalecimento do emprego, além das previsões, indica uma economia mais robusta. No entanto, para os investidores do mercado de ações, essa notícia pode não ser tão favorável. O aquecimento do mercado de trabalho, ao impulsionar os salários, eleva o poder de compra das pessoas e sustenta a inflação, indo de encontro aos objetivos do Federal Reserve. Com a redução do desemprego e o aumento dos salários, a possibilidade de cortes de juros nos Estados Unidos pode ser retirada dos preços dos ativos. Essa expectativa tem sido a principal razão para o rali global das bolsas, que teve início em novembro, apesar das indicações do presidente do Fed, Jerome Powell, de que antecipar cortes seria precipitado. Segundo as últimas divulgações da autoridade monetária, atualmente, estão previstos dois cortes de juros apenas no final de 2024.

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