Após medidas de Milei, viagem à Argentina pode se tornar mais cara

Segundo especialistas, a estratégia adotada pela nova gestão encabeçada por Javier Milei deve influenciar significativamente o turismo argentino.

Viajar para o país vizinho pode ser bem mais caro do que muitos brasileiros imaginam, uma vez que o atual presidente da Argentina, Javier Milei, indicou que irá adotar novas medidas para recuperar a economia argentina.

Segundo especialistas ouvidos pela CNN, a estratégia de Milei visa uma forte desvalorização do câmbio. A medida foi anunciada pelo ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo. Para quem não sabe, em terras argentinas existem diversos tipos de dólar, mas a moeda usada para transações comerciais e financeiras em grande escala é o dólar oficial.

Já o dólar paralelo, ou “dólar blue” — encontrado em casas de câmbio paralela — não é controlado pelo governo do país e ganha ou perde valor conforme a oferta e demanda. Sendo assim, entre as medidas adotadas por Luis Caputo, está a desvalorização do câmbio, que será de US$ 1 para 800 pesos. Até a última terça-feira (12), a cotação oficial era de 366 pesos.

O que dizem os especialistas?

De acordo com Roberto Dumas, professor de economia do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), a decisão deve deixar diversos produtos e serviços mais caros na Argentina. Ele cita como exemplo a remarcação em massa nos preços dos itens de supermercado, que costumavam ter valores controlados por acordos firmados no governo anterior.

Na visão de Dumas, as medidas econômicas adotadas por Milei e o ministério da Economia são positivas do ponto de vista macroeconômico. No entanto, como já adiantado pela nova gestão, ele diz que a situação irá piorar antes de melhorar.

Isso porque, segundo o professor, a manutenção do galope da inflação em novembro atingiu o pico de 161% ao ano, ante 142% no mês anterior. “Pode bater nos 200% ou 300%. O desemprego vai aumentar e o número de miseráveis também, até que você comece a ter, de fato, um plano econômico“.

Além disso, mesmo os serviços que não tinham preços controlados, também devem ser afetados com as remarcações. Para facilitar o entendimento, vamos ao exemplo dado por Dumas. “Imagina que você seja dono de um hotel. Você não tinha o preço tabelado, mas o seu custo para comprar a cesta de bens vai subir, e isso vai ser repassado para todo o turismo“, explica.

Segundo o professor, o turismo na Argentina ainda vai continuar sendo atrativo, pelo menos por enquanto. Porém, ele acredita que o dólar oficial vai continuar em 800 pesos. “Ele vai continuar depreciando. Vai piorar muito antes de melhorar“, reforça o especialista.

Todavia, Dumas avalia que é preciso aguardar os próximos passos para ver até onde os agentes econômicos e a própria sociedade vão “suportar essa piora” e outras medidas impopulares do presidente do país.

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