Plano de recuperação judicial da Americanas é assinado pelos credores

Após um período de hesitação, o banco Safra aderiu ao plano de recuperação judicial da Americanas. A aprovação do plano está programada para esta terça

A Americanas revelou uma mudança significativa em seu cenário financeiro nesta segunda-feira, com a participação do banco Safra e outros credores em um acordo entre os principais detentores de sua dívida. A empresa, que enfrenta uma série de obstáculos legais, incluindo processos judiciais nos níveis estadual e federal do Rio de Janeiro, além de investigações pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Bolsa de Valores brasileira (B3), está em busca de uma solução para sua crise financeira.

O banco Safra, que inicialmente mostrava hesitação em aderir ao acordo devido às cláusulas que restringiam investigações sobre potenciais fraudes na empresa, agora se junta ao BTG Pactual Asset Management e à Oliveira Trust, o agente fiduciário da 17ª emissão de debêntures da Americanas.

Plano de recuperação judicial

Com a inclusão dessas adesões, a Americanas afirma ter conquistado o respaldo essencial para a aprovação de seu plano de recuperação judicial, cuja assembleia está marcada para esta terça-feira. O plano abrange uma injeção substancial de recursos, totalizando R$12 bilhões, provenientes dos três principais acionistas: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Adicionalmente, contempla iniciativas como a conversão de uma parcela da dívida da empresa em ações.

Apresentando um passivo declarado de aproximadamente R$42,5 bilhões, a Americanas está programando realizar nesta terça-feira (19) sua Assembleia Geral de Credores, um evento de importância crucial para a ratificação do Plano de Recuperação Judicial. Essa iniciativa representa a estratégia da empresa para lidar com a crise contábil que surgiu com a revelação de “inconsistências contábeis” bilionárias em janeiro deste ano.

A transformação na condição da Americanas evidencia uma reação favorável por parte do mercado, observada no aumento de 2,2% nas ações da empresa, cotadas a 0,92 real. Vale ressaltar que essas ações não estão incluídas no Ibovespa, o qual apresentou um incremento de 0,48% no mesmo intervalo de tempo.

Americanas

A empresa de varejo enfrentou uma considerável diminuição em sua clientela. De acordo com o relatório mensal divulgado na última sexta-feira, mais de 7,5 milhões de clientes ativos foram perdidos entre dezembro de 2022 e novembro de 2023. Durante esse período, a base de clientes reduziu-se de 49,12 milhões para 41,56 milhões, indicando os efeitos da crise nas operações da empresa.

Adicionalmente, a Americanas divulgou uma disponibilidade de caixa total de R$1,55 bilhão em novembro, em contraste com os R$4,63 bilhões registrados em dezembro do ano anterior. No mesmo intervalo, o prazo de pagamento a fornecedores reduziu-se de mais de 120 dias para 115 dias, evidenciando uma pressão significativa sobre a situação financeira da empresa.

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