Número de pessoas em situação de rua aumentou 10 vezes em 2023

Os dados foram levantados pelo Ipea, tendo como base os registros ativos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal

O total de pessoas cadastradas pelo governo brasileiro subiu mais de 1.000% desde 2013. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as crises econômicas e a pandemia da COVID-19 foram as principais responsáveis por agravarem a situação.

Na última segunda-feira (11), o Ipea revelou que o número de pessoas em situação de rua nas cidades brasileiras era de 227.087 em agosto deste ano, tendo como base os dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

Para se ter uma ideia, o número é 10 vezes maior do que o registrado em 2013, que foi de 21.934, o que representa uma alta de 1.000%. No entanto, ao que tudo indica, o número deve ser ainda maior, uma vez que nem todos os cidadãos que estão vivendo na rua estão registrados no CadÚnico.

Vale lembrar que o CadÚnico é um conjunto de informações sobre as famílias brasileiras em situação de pobreza e extrema pobreza. Esses dados são utilizados pelo Governo Federal, pelos estados e pelos municípios para colocar essas pessoas dentro das políticas públicas, como o programa do Bolsa Família, por exemplo.

Dos 96 milhões de cidadãos inscritos no CadÚnico em agosto de 2023, 227 mil estavam oficialmente registrados como em situação de rua. Entretanto, o Ipea alerta que esse número não pode ser considerado um censo oficial da população de rua. Em dezembro do ano passado, uma estimativa do instituto apontou que os brasileiros em situação de rua superavam 281 mil pessoas em todo território nacional.

O que fez o número aumentar?

Uma das explicações para o aumento é a própria existência do cadastro. “Doze anos atrás não havia ninguém cadastrado como população de rua no CadÚnico porque nem existia lugar para marcar isso [no formulário]. O que cresceu é o número de pessoas em situação de rua cadastradas, e agora essas pessoas vão conseguir ter acesso aos programas sociais“, disse Marco Antônio Carvalho Natalino, autor do levantamento, ao jornal Folha de S. Paulo.

Além disso, entre os motivos para o aumento da quantidade de pessoas morando nas ruas, a pesquisa destaca que o Brasil vem enfrentando crises econômicas consecutivamente há quase uma década e que “até mesmo a insegurança alimentar grave, a fome, voltou a ser um problema nos últimos anos”.

Já o outro motivo está ligado à pandemia da COVID-19 que, de acordo com o Ipea, “agravou o quadro”, levando até mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) a se manifestar para lembrar o poder público das suas obrigações perante a população em situação de rua.

Por que os cidadãos estão morando na rua?

De acordo com o levantamento, as principais causas que levam os brasileiros a morar nas ruas são:

  • 1. Problemas com familiares e companheiros (47,3%);
  • 2. Desemprego (40,5%);
  • 3. O uso abusivo de álcool e outras drogas (30,4%);
  • 4. Perda da moradia (26,1%).

No entanto, como informado pelo Ipea, pode haver mais de uma causa para cada pessoa e, por conta disso, a soma dos percentuais ultrapassa 100%. Sendo assim, para realizar o estudo, o instituto separou as causas para a situação de rua no país em três grupos: motivos econômicos, relações pessoais e problemas de saúde.

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