Futura chanceler de Milei afirma que Argentina não entrará no Brics

A chanceler veio ao Brasil entregar o convite da cerimonia de posse de Milei ao presidente Lula, ela aproveitou e falou sobre a Argentina no BRICS e no Mercosul

Diana Mondino, a próxima chanceler argentina, declarou neste domingo (26) que a gestão futura sob a liderança de Javier Milei ainda não compreendeu as vantagens que a Argentina teria ao ingressar no Brics. Inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China, o grupo será ampliado a partir de 2024, incluindo 11 países, como Argentina, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Etiópia.

Mondino visitou o Itamaraty para entregar um convite ao chanceler Mauro Vieira para a posse de Milei em 10 de dezembro. Sobre a possível presença de Lula na cerimônia, ela procurou dissipar preocupações, inclusive no Planalto, de que Lula não seria bem recebido. No entanto, ela evitou descartar a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, que declarou que compareceria ao evento.

Argentina no BRICS

Quando questionada sobre o Brics, Mondino ironicamente mencionou que tanto ela quanto Vieira conseguiram evitar o tema durante uma hora e meia de reunião. Ela sinalizou que a Argentina não ratificará sua adesão ao bloco, apesar do convite feito em agosto.

A chanceler afirmou que, até o momento, não compreendiam quais seriam os benefícios que o Brics traria para a Argentina, considerando todos os problemas que já enfrentavam. Ela indicou que, caso haja vantagens, participariam. Até aquele momento, colaboravam com todos esses países e não desejavam estar politicamente alinhados com nenhum deles, mas acreditavam no multilateralismo.

Chanceler fala sobre o Mercosul

Além de estender formalmente o convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sua posse em 10 de dezembro, Javier Milei tem indicado uma mudança de posição em relação à retirada da Argentina do Mercosul. A chanceler expressou de maneira favorável o apoio do seu país à conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

A representante de Milei afirmou, após a reunião com Mauro Vieira, que estavam discutindo sobre a importância de assinar o Mercosul o mais rápido possível, incluindo o acordo com a União Europeia e, eventualmente, com outros países, como Singapura. Ela destacou que o novo presidente, durante a campanha, inicialmente defendeu a saída da Argentina do bloco econômico, mas posteriormente recuou dessa ideia, passando a defender apenas mudanças.

A presidência do governo brasileiro no Mercosul se estende até 7 de dezembro, três dias antes da posse de Milei. Foi mencionado que a presidência brasileira está em negociação de um dos acordos com a União Europeia. Este acordo, aprovado em 2019 após duas décadas de negociações, necessita da ratificação pelos parlamentos de todos os países dos dois blocos para ser efetivado. Destaca-se que a negociação engloba 31 países.

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