Entenda o motivo das saídas de empresas da bolsa de valores

Durante 2023, 10 empresas deixaram a Bolsa de Valores, o motivo para as saídas são os juros elevados. As projeções para 2024 são relacionadas a essas taxas

Empresas estão solicitando o cancelamento de registro na Bolsa de Valores brasileira desde janeiro, o que suscita reflexões sobre a situação atual na B3 e se estamos atravessando um período desfavorável para a realização de aberturas de capital.

No decorrer deste ano, dez empresas tomaram a decisão de sair da B3, incluindo a IGB Eletrônica, Banco Besa, Têxtil Renauxview, Longdis, EDP Energias do Brasil, CEEE-G, BR Properties, Sinqia, Banrisul, e Corrêa Ribeiro (com pedidos em análise).

O êxodo de investidores da Bolsa tem como consequência a desvalorização do valor de mercado das empresas, o que, em parte, explica a ausência de IPOs nos últimos anos, uma vez que nenhuma empresa recém-criada fez sua estreia na Bolsa recentemente.

Motivo das saídas

  • Juros: As taxas de juros elevadas, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, são fatores desfavoráveis que influenciam a saída de empresas da Bolsa. Isso leva os investidores a buscar ativos menos arriscados, como a renda fixa, mesmo com a queda das taxas no Brasil, mas sua permanência em níveis elevados nos EUA.
  • Riscos: O interesse dos investidores em assumir riscos é reduzido pelas taxas de juros elevadas e pela volatilidade do cenário desde a pandemia, afetando também a decisão de empresas com baixa liquidez de permanecerem na Bolsa. Contudo, analistas enfatizam que casos recentes são específicos e ligados às particularidades individuais de cada empresa em relação à viabilidade de manter o capital aberto.
  • Capital aberto: O processo de abertura de capital, utilizado para minimizar os custos de dívida, enfrenta desafios nesse contexto, levando algumas empresas a buscar alternativas para financiar investimentos e expansões. Corporações encerram sua condição de capital aberto por diversas razões, desde a falta de interesse em realizar novas ofertas de ações para arrecadar recursos até a busca por um valor patrimonial justo ou a redução da exposição a riscos em períodos de reestruturação.
  • Migração: A possibilidade de migrar para o mercado norte-americano, que oferece maior liquidez, é considerada por empresas brasileiras, como exemplificado pela Sinqia, uma empresa de tecnologia para o mercado financeiro.
  • Recursos em caixa: Algumas corporações optam por utilizar recursos disponíveis em caixa para recomprar ações, visando a redução dos custos associados à manutenção do status de capital aberto.

Projeções da Bolsa de Valores para 2024

A projeção otimista para 2024 baseia-se no corte de juros implementado pelo Banco Central a partir de agosto, antecipando uma retomada no interesse por investimentos mais arriscados e a possível entrada de novas empresas na Bolsa nos próximos anos.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 12,25% ao ano, com expectativa de redução para 11,75% a.a. até o final de 2023 e 9,25% a.a. até o final de 2024. Após um período desfavorável, prevê-se uma mudança positiva no cenário econômico.

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